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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Quando Abubakar Shekau será parado?




Por Pedro Nascimento Araujo

Abubakar Shekau é o líder do Boko Haram. O grupo terrorista nigeriano, face mais cruel do fundamentalismo islâmico, controla o Norte do país. A tradução literal de Boko Haram é “educação ocidental é pecado”, e os terroristas comandados por Shekau levam a sério seu slogan: no dia 6 de julho, 46 estudantes foram mortos queimados (os que conseguiram fugir das chamas foram fuzilados) em um ataque do Boko Haram na cidade de Mamudo, que fica em Yobe, um dos três estados no nordeste da Nigéria controlados pelo Boko Haram e que estão sob Estado de Emergência há quase 3 meses. Não foi o primeiro nem será o último ataque do Boko Haram contra crianças.

Abubakar Shekau, o responsável por mandar homens armados para invadir um dormitório estudantil durante a madrugada e queimar os estudantes apenas porque eles estão estudando é capaz de tudo. Em uma declaração em vídeo divulgada neste final de semana, Shekau é direto: “Mataremos todos os professores que ensinarem educação ocidental. Matá-los-emos diante de seus alunos, e mandaremos os alunos estudarem apenas o Corão a partir de então.” Ameaça bastante crível: o Boko Haram é responsável por inúmeros massacres de cristãos nos últimos anos. Não que as forças de segurança nigerianas sejam exemplares: há registros de abusos por parte dos militares, que teriam promovidos massacres no combate ao Boko Haram.

Na prática, a Nigéria reproduz em seu território os males da África: recursos naturais abundantes não se transformam em desenvolvimento social, corrupção endêmica, norte islamizado e sul cristianizado. Com a radicalização de grupos como o Boko Haram crescendo na esteira das instabilidades dos países do mundo muçulmano, que possibilita o acesso a mais armas e mais combatentes, a África virou um santuário de terroristas maior que o Oriente Médio – e a Nigéria, país que possui 170 milhões de habitantes (algumas estimativas apontam para o país passar a ser mais populoso que o Brasil antes da metade do século) e é o 8º maior exportador de petróleo do mundo, é estratégica no combate ao terrorismo.

O norte da Nigéria assemelha-se cada vez mais ao Mali, aonde a Operação Serval, comandada pela França a pedido do governo do Mali, impediu que a capital caísse nas mãos dos terroristas: não há presença efetiva do governo (um bom exemplo do desesperado esforço para evitar ataques do Boko Haram é a desativação da rede de telefonia celular foi desativada) e as crianças que não são mortas nas escolas ou fogem com a família ou param de estudar, aumentando a chance de serem cooptadas pelos seguidores de Abubakar Shekau. Militarmente, o Boko Haram não pode fazer mais do que faz: matar civis. Por ora, não há risco de o grupo tomar nem a capital Abuja nem Lagos, a maior cidade do país, com estimados 10 milhões de pessoas em sua área metropolitana, porque uma ofensiva do governo destruiu boa parte do arsenal de combate do grupo. Todavia, há pessoas morrendo por conta da ação da trupe de Shekau. Após o término da missão da União Africana no Mali, autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU para manter os ganhos territoriais obtidos pelos franceses no começo do ano, é um bom momento para retomar o norte da Nigéria das mãos do Boko Haram. Homens como Abubakar Shekau precisam ser parados o quanto antes.

Pedro Nascimento Araujo é economista.

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