Leal Porto

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RESTAURANTE DA PONTE

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"O lugar certo de comer peixe" - Em cima do Mercado Municipal do Peixe (22) 2647-5341

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Coluna da Menina de Ouro, Vânia Carvalho




Adeus holofotes

Marquinho Mendes resolve ir ao analista depois de uma grave crise de depressão. O doutor pede que ele deite no divã e exponha seus problemas e coloque toda seus sentimentos pra fora:

O psicólogo pega um bloco de anotações e pede pro paciente começar a falar:  - Senhor Marcos eu quero que o senhor fale tudo que lhe atormenta, diz o médico.

Eu não aguento mais doutor, a minha vida se transformou num inferno! eu era tão feliz sentado naquela poltrona, mandando e desmandando na prefeitura, dando canetada a torto e a direito!

Eu gostava de ver aquele povo na porta do meu gabinete implorando pra falar comigo, adorava ouvir o povo reclamando nas rádios, me xingando, eu sentia uma felicidade tão grande quando  ouvia aquela série de problemas que aconteciam  na  saúde, na educação, na cultura, na pavimentação, nos transportes, as pessoas com raiva de mim, porque faltava remédios, ambulâncias, médicos, os professores reclamando por falta de aumento, a população me criticando dia após dia, isso me fazia tão feliz!

- Seu caso parece grave, pois eu nunca vi ninguém sentir falta de tanta desgraça! Disse o analista surpreso.

Mas é doutor, eu acabei com Cabo Frio, sucateei, explorei, superfaturei, fiz pouco caso, fui indiferente com a dor alheia, isso me trazia muita emoção.

- O senhor parece sofrer de uma crise aguda de sadismo! Nunca ouvi tamanho absurdo!
Não é não doutor! Eu gostava de ver as pessoas descontentes, de ver a cidade quase falida, o comércio quebrando, as pessoas tendo que se mudar por falta de emprego, as ruas esburacadas, a falta de políticas públicas para a mulher, para o esporte, para a criança, a cidade de Tamoios as moscas, abandonada, os patrimônios da cidade ruindo.

- Chega! Chega! Como o senhor pode ser tão insensível? Como alguém pode sentir falta de tamanha pouca vergonha?

- Ora doutor, porque eu chegava na TV, na rádio, no jornal e mandava um beijo no coração, dizia que Deus estava comigo, que eu era um bom prefeito e  todo mundo acreditava. Porém agora o que posso fazer? O senhor não entende? Eu sempre gostei de ser ator, agora me tiraram o personagem principal, eu me sentia o próprio Tony Ramos! eu fazia o meu teatro e as pessoas me adoravam por isso! Agora! O que me resta?

Cadê meus paparazzi? Cadê meu público? Meus fãs?  Cadê meu tapete vermelho? Só me restou o Thiago Chumbada pra retocar minha maquiagem!

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