LEAL PORTO TELECOM

LEAL PORTO TELECOM

RESTAURANTE DA PONTE

RESTAURANTE DA PONTE
"O lugar certo de comer peixe" - Em cima do Mercado Municipal do Peixe (22) 2644-4080 // 99999-5998

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Coluna Banzo. Por Marcos Chaves




A VIOLÊNCIA NOSSA DE CADA DIA

 A quase uma semana atrás ocorreu mais um episódio violento no bairro Jardim Esperança que me chocou e indignou a ponto de elaborar este texto que vai “incomodar” alguns amigos e inimigos, companheiros e adversários, autoridades e até mesmo alguns cidadãos e cidadãs comuns.

 A menina Anny Vitória foi baleada no colo de sua mãe Nayane dos Santos e veio a falecer na madrugada do dia 13 no Hospital São José Operário, depois de disputar vagas em centro cirúrgico com (pasmem!!!) mais quatro baleados naquela noite!!!

 Aguardei propositalmente quase uma semana para contextualizar esta fatalidade, enfatizando assim o “lugar comum” e o descaso de alguns segmentos e setores de nossa hipócrita sociedade. Abordarei aqui alguns aspectos que me incomodam nesta fatídica passagem.

IMPESSOALIDADE

Não podemos transferir responsabilidades que resultam em omissão nas ações práticas contra esta insegurança que nos assola. A culpa não é da incompetência do Governador, Secretário de Segurança, do Comandante do 25º Batalhão, exclusivamente, a culpa é nossa que negligenciamos a tutela de nossas crianças. Me dói até a coincidência na idade de Anny (4 anos) a mesma idade de Maitê, minha filha.

VISIBILIDADE

É um enorme equívoco da elite poderosa de nossa cidade fingir que este povo na periferia não existe, invisibilizá-lo até na nomenclatura de logradouros. Nomes de ruas, estradas, ginásios, escolas... satisfazendo a vaidade volúvel e fútil de uma oligarquia que se nega reconhecer o valor dos heróis anônimos e verdadeiras guerreiras que tocam à mãos calejadas o dia-a-dia de nossa cidade.

ACESSIBILIDADE

Analisando sociologicamente a concentração do Poder em nossa cidade dois aspectos me incomodam especificamente: a falta de representatividade da militância comunitária e a questão do recorte racial. Este segundo me fere a alma... foram mais de 13 anos sem nenhum negro no primeiro escalão do governo, o último foi Edinho Ferro (1998/99). (Atualmente temos Edinho e Robson Pereira).

 Serão incompetentes todos os médicos, engenheiros, arquitetos, advogados... negros de nossa cidade? É inevitável que toda esta concentração um dia exploda na cara da aristocracia.

REPRESENTATIVIDADE

As Legislaturas negras e comunitárias são pífias (nunca um Vereador negro se reelegeu) e esvaziadas pelo sistema assistencialista. A falta de representatividade nos leva a um contraponto pérfido...” não foi o filho do seio de uma família rica e tradicional que esvaiu em sangue até a morte...!!!” Ou alguém tem dúvida que quando esta violência começar a vitimar filhos da elite cabofriense a “história e repercussão” serão outras!!!

COMPATIBILIDADE

Política de segurança pública praticada pelo Governo do Estado não é compatível para o interior e se revela totalmente ineficaz para a periferia das cidades do interior!!!

COMPAIXÃO

Grandes shows, eventos espetaculosos, verdadeiras redes de comunicação e marketing religiosos debruçam uns sobre os outros e se atropelam numa disputa vã. Gostaria de ver Padres, Pastores, Rabinos, Mães de Santo... saírem de suas rotinas religiosas e em uma só voz gritarem “Não celebraremos nenhuma missa, nenhum culto, nenhuma sessão ou sacerdócio enquanto não fizermos algo de efetivo por esse anjo inocente vitimado sob a nossa tutela”

INDIGNAÇÃO

Não vou voltar a minha rotina enquanto não fizer efetivamente algo em relação a esta barbárie... minha indignação não pode ser efêmera, momentânea ou passível apenas de um discurso político e eleitoreiro.

A dignidade implica em se indignar com injustiças, a praticar a empatia de se colocar no lugar daquela mãe e sentir toda a sua dor!!!

Não podemos nos ater a frieza dos números estatísticos.

Com a palavra os omissos, covardes e indignos!!!

0 comentários:

- |