Leal Porto

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RESTAURANTE DA PONTE

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terça-feira, 18 de março de 2014

Participação Especial de Walter Biancardine



 

A Velha Senhora

Eufemismo pelo qual os mais antigos se referiam á morte, o termo parece ter se impregnado realmente de uma carga ruim, negativa mesmo.

Tantas são as desventuras relacionadas á Velha Senhora que tornou-se impossível – ao menos para mim, com pai, mãe, irmã e dúzias de amigos e parentes já no Céu – não fazer uma analogia automática, quando algo de mal ou desagradável me acontece.

Explico a neurose:

Trabalhava eu no bravo Lagos Jornal e todas as vezes que conseguia uma matéria de destaque ou um artigo de repercussão, sempre alguém dava a entender – em uma roda de amigos – que eu só escrevera aquele sucesso efêmero graças á sua orientação. E imediatamente me vinha á cabeça a Velha Senhora.

Convidado pelo amigo Álex Garcia em um momento de loucura, dei uma entrevista em seu programa Cartão Vermelho descendo a lenha no irmão de Memê e apontando-o como quem realmente mandava. Foi um buxixo, todo mundo ligou para o estúdio após o programa, um rebú! Mas, o primeiro telefonema que recebi tão logo o programa encerrou revelou-se com o rasteiro objetivo de que, quando eu atendesse, mencionasse o nome e sobrenome daquilo que, provavelmente, teria me “orientado” a dizer o que disse – e imediatamente me veio á cabeça a “Velha Senhora”. É claro que declinei de atender, desligando o mesmo.

A lista de casos como o acima relatado é imensa, e eu gastaria horas contando. Não vale á pena. Mas o fato é que todas as vezes que me deparo com paranóias conspiratórias, delírios de saber o que se passa “nos bastidores do poder”, vaidades absurdas e sem nada que a justifique ou até mesmo vis e rasteiros motins – subversão de hierarquia mesmo, tomada de poder apenas porque a vaidade doente o reclama – imediatamente me vem á cabeça a “Velha Senhora”.

De gente que ameaça demissões sem ter poder, autoridade ou mesmo moral para isso á doentes que mentem dizendo ser parente (sempre num ambíguo tom de brincadeirinha) ou gente que já morreu e não sabe, tudo isso me remete á Velha Senhora.

Rancores mal disfarçados em críticas surdas á quem antes elogiava, centro de todas as alcovitagens, falsidade obtusa de contar a mesma intriga para um grupo de pessoas apenas trocando o nome do citado e a megalomania de achar que isso resultaria em um prêmio ao ego, tudo isso me remete á Velha Senhora.

Revolucionários de Yatch Club, que sequer sabiam o que se passava no país durante o governo militar e que hoje posam de “sobreviventes da ditadura”, este tipo de alienação arrependida e história falsa de vida sempre me remete á Velha Senhora.

Especialistas dirão que o caso é grave e que preciso me tratar. Não sei, mas quem sou eu para duvidar?

Mas o fato é que sou apenas um rapaz latino americano, sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes e, por isso, prefiro prestar uma sutil reverência á Velha Senhora enchendo a cara.

Um brinde!
Walter Biancardine

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