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quinta-feira, 27 de março de 2014

Passando a Limpo. Por Charles Domingues




E O PROBLEMA CONTINUA

Caro amigo leitor, a algumas semanas eu trouxe a esse conceituado Blog, a questão água e as dificuldades que o mundo vem encontrando para suprir suas necessidades.

A água ao contrario do que muitos pensam, é um bem finito, que devido a todas as atrocidades que o ser humano vem fazendo ao longo do tempo, a mesma tende a acabar. Só para o leitor ter uma idéia, cerda de 70% do nosso planeta é coberto por água, e de toda a água que existe no mundo aproximadamente 97% é salgada, sendo menor que 1% a quantidade de água doce conhecida e disponível.

A quantidade de água do planeta sempre será a mesma, porem devido a quantidade de poluentes lançados nos corpos hídricos a água aos poucos foi perdendo suas características e tornado-se poluída e fétida, e por que nao dizer rios foram transformados em brejos.

A ONU (organização das nações unidas) escolheu o dia 22 de março, como dia internacional da água, a idéia era fazer com que ações para preservação da água fossem sempre lembradas e praticadas, o tal uso consciente da água, que de bonito só tem o nome.

Vivemos em um pais que tem a maior reserva de água doce do mundo, temos uma abundancia incrível de água no amazonas, obviamente que nao temos essa abundancia no nordeste, porem com um pouco de boa vontade política esse problema já deveria ter sido resolvido a muito tempo, tomemos como exemplo Israel que bebe água do mar, e consegue ser uma potencia na agricultura, pois o segredo não esta na abundância de água mas sim no uso consciente da mesma.

Só para o leitor ter uma idéia hoje, mesmo com essa abundancia de água, estamos pondo em risco nossa Segurança hídrica, que é a capacidade de se oferecer água com qualidade e em quantidade. A poucos dias um dos diretores da ANA - Agencia Nacional de Águas em uma entrevista, disse que, o Brasil tem hoje, em média água reservada para 43 dias. Isso é um absurdo haja vista a quantidade de água disponível que temos, quando levamos em consideração o restante do planeta.

A crise esta as portas, observemos que as matérias jornalísticas sempre reportavam a região nordeste a falta de água, e ninguém fez absolutamente nada para mitigar o problema, porem agora, o problema atinge a maior cidade do país, a grande e pomposa São Paulo, amigos essa cidade que é o verdadeiro motor do pais, produziu tanto que seus gestores esqueceram que eles não são responsáveis pela produção de água na cabeceira dos reservatórios, e o problema esta ai é real e se formos levar em consideração um plano de gestão integrada dos recursos hídricos - PGIRH, o leitor não tenha duvidas que isso não entrou no planejamento de governo nenhum, e só esta sendo ventilado agora, por que o volume do reservatório de Cantareira esta com a marca recorde de 14,3% dados de 25 de março de 2014(hoje), e qual a solução proposta pelo governo Alckmin senão buscar água em um manancial que nada tem a ver com SP que no caso é o rio Paraíba do Sul.

Sim é a maneira mais fácil de extrair água e enviar para São Paulo, e dessa forma não fica caracterizada a crise da água que se instalou no governo dele. O Rio Guandu que abastece a água de toda a região metropolitana do Rio de Janeiro é abastecido por uma transposição do rio Paraíba do sul, essa transposição é responsável por cerca de 80% do volume de água total do Rio Guandu, daí se vê os riscos envolvidos em ceder água para outra localidade.

Não sou contra a transposição do Paraíba do sul para abastecer São Paulo, haja vista ser uma determinação da política nacional de recursos hídricos - PNRH, que a água em caso de escassez seja para abastecimento humano em primeiro caso seguido de dessedentação de animais, logo a transposição é uma possibilidade, porem acho que a conversa deve imediatamente sair do meio político e entrar no âmbito técnico, haja vista a necessidade de um Estudo de impacto ambiental (EIA/RIMA), muito bem feito, assim como se faz imperativa uma maior participação da ANA nessas questões.

Eu não poderia terminar essa coluna sem as seguintes perguntas ao governador Geraldo Alckmin:

- Por que deixaram o Rio Tietê chegar nesse estado?
- Por que não extrair água do rio Pinheiros?

Se o governo de São Paulo responder a essas duas perguntas esse tema não seria tão relevante, pois talvez eles tivessem resolvido o conflito da água.

Charles Domingues é Químico, Gestor Ambiental, Especialista Saneamento Ambiental, Especialista Engenharia ambiental, Especialista em águas.

Não deixe de ler o meu Blog: www.charlesdomingues.blogspot.com
www.facebook.com/cvdomingues / Twitter; @charlesdomingue 

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