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sexta-feira, 24 de março de 2017

Novela "A Saga da Jeitosinha" de James Santos - Capítulo 13 "Reconciliação de Jeitosinha e Bruno"


Narrador - A família finalmente percebeu que Ambrósio estava desaparecido. Ele não havia voltado da pescaria nem dado sinal de vida. Marilena chamou a Polícia, que pareceu não dar muita importância à ocorrência. Os dois policiais fizeram poucas perguntas, anotaram um boletim de forma burocrática e se foram em poucos minutos, levando uma foto do homem.

Jeitosinha chegou em casa quase na hora do almoço. Os irmãos não perceberam que ela passara a noite fora, mas sua mãe sim.

Marilena - Onde você estava?

Narrador -  Jeitosinha ignorou a abordagem.

Marilena - Sorte sua seu pai não estar por aqui. Ele não ia gostar disso...

Narrador -  Marilena insistiu com um tom seco de reprovação na voz, mas a  resposta da filha foi carregada de ironia:

Jeitosinha - O que poderia preocupá-la, mamãe? O risco de que eu perca a virgindade ou volte grávida para casa?

Narrador - Marilena tentou acariciar o cabelo da filha, que afastou sua mão com um gesto brusco.

Jeitosinha - Não me encoste! Eu odeio você!

Narrador - Um fio de lágrima escorreu pela face esquerda da sofrida mãe.

Marilena - Querida... Você é tão jovem... Tem uma vida pela frente! Ainda há tempo de encontrar a felicidade...

Jeitosinha - Como eu poderia ser feliz? Eu sou uma mulher aprisionada no corpo de um homem!

Marilena - Veja o lado positivo... - tentando consertar a situação - Você não tem tensão pré-menstrual, não precisa sentar-se em privadas sujas de boate...Mantenha a calma e a resignação. Você ainda encontrará algum homem que a aceite como você é!

Narrador - "Sim", conjecturou Jeitosinha. "Este homem talvez seja Bruno. Mas como ele estará se sentindo depois de nossa estranha noite de amor?". Ela pensou durante todo o dia no seu amado, reunindo forças para enfrentar sua primeira noite no bordel de luxo. Curiosamente, a expectativa de entregar-se a estranhos não a incomodava. Desde a revelação de sua condição, ela não se reconhecia naquele corpo. Não sentia que tivesse que zelar dele.

Eram nove da noite quando Jeitosinha entrou no fusca de Arlindo, rumo à casa de encontros. O local ficava próximo, mas era preciso percorrer um pequeno trecho numa estrada pouco movimentada.

Justamente quando passavam pela parte mais escura e deserta do percurso, uma luz surgida do nada cegou momentaneamente Arlindo, impedindo-o de dirigir. O rapaz pisou no freio abruptamente. Antes que pudessem esboçar qualquer reação, as duas portas do carro foram abertas, e o casal foi retirado de dentro do veículo por mãos poderosas.

Pouco antes de tomar uma descarga elétrica que a faria perder os sentidos, Jeitosinha pôde ver a face de seus raptores: eram homenzinhos verdes vestindo estranhos macacões prateados.

Narrador - Não é que a história toma rumos sobrenaturais?

Confira amanhã, no próximo e  emocionante capítulo!"

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