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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Novela "A Saga da Jeitosinha" de James Santos - Capítulo 24 "Ele morreu?"


Narrador - A detetive Vanessa sentou-se no sofá que outrora estivera coberto pelo sangue de Ambrósio. Acendeu um cigarro e cruzou lentamente as pernas, numa cena que lembrava Sharon Stone em "Instinto Selvagem".

Marilena - Creio que você chegou tarde...  - Meu marido já voltou.

Vanessa - Ele é o Ambrósio? -  E o que ou quem fez isso a ele?

Arlindo- Ainda não sabemos

Jeitosinha - Com certeza foi algum acidente...

Narrador - A experiente Vanessa percebeu o ambiente pesado do lar. "Aqui, com certeza, se escondem grandes segredos", pensou. Fascinada por seu ofício, naquele momento a bela detetive soube que não teria sossego enquanto não desvendasse cada detalhe do que já chamava de "Caso Ambrósio".

Vanessa - Conte-me, meu bom homem. Quem lhe feriu?

Narrador - Ambrósio tremeu à simples lembrança de fragmentos da cena, que ele sequer conseguia verbalizar.

Ambrosio - N-não me lembro. Não quero saber. Eu estou bem.

Narrador - A mulher tocou Ambrósio carinhosamente.

Vanessa - Procure se lembrar... Estas marcas... Foi, sem dúvida, uma arma cortante. Talvez uma lâmina grossa... Uma serra...

Ambrosio - Nããããããão!

Narrador - Jeitosinha sentiu um arrepio na espinha. E se o pai recobrasse a memória?
A detetive Vanessa continuou seu trabalho.

Vanessa - Procure se lembrar... Uma pessoa, uma imagem...

Narrador - Ambrósio subitamente silenciou-se. Com os olhos fixos na linda policial exclamou baixinho:

Ambrosio - Sim... Eu me lembro de algo. Sim!

Vanessa - O que? O que? - A excitação de Vanessa era quase sexual.

Ambrosio - Foi ela! Foi ela! - gritou, apontando para Jeitosinha.

Jeitosinha gritando -É mentira!

Vanessa -Cale-se! Deixe o homem concluir seu relato!

Vanessa - Diga, senhor... Ela fez isso com você. E depois?

Ambrosio - Depois homens verdes, numa nave espacial me trouxeram de volta à vida!

Narrador - A policial sorriu, constrangida, e abraçou o fragilizado Ambrósio.

Vanessa - Homens verdes? É uma alucinação, sem dúvida... Por hoje é só. Mas me aguardem. Vou continuar as investigações.

Narrador - Jeitosinha sentiu-se mais leve. Marilena e Arlindo olharam para o pai e para a loira, com expressões indecifráveis.

Narrador -  Longe dali a primeira coisa que Bruno viu foi uma luz branca e intensa. O rosto de Jeitosinha sorria para ele, emoldurada por centenas de pênis de todos os tamanhos e formas. -

Bruno -  Estou na paraíso! - sussurrou.

Narrador - Mas o delírio foi interrompido pela penetração contundente de uma agulha de injeção. De olhos abertos, o confuso rapaz viu um homem de roupa alva, parado ao lado da cama de hospital onde estava deitado.

Médico - Você nasceu de novo, filho. A bala acertou de raspão a sua fronte.

Bruno - O-onde estou?

Médico - No ambulatório de um hospital público.

Narrador - Bruno percorreu o lugar com os olhos e não acreditou no que viu. Com uma touca cobrindo os cabelos, adormecida na cama ao lado, encontrava-se ninguém menos que sua amada.

Bruno - Jeitosinha! -

Médico - Só se for nome de guerra...  - Ele chegou aqui como Adenair e agora é Adenaíra...

Bruno - Adenaíra?

Médico - Sim... Ele submeteu-se ontem a uma cirurgia para mudança de sexo. Mas talvez nunca aproveite sua nova anatomia...

Bruno - Porque doutor? Porque doutor?

Narrador - O homem tomou um longo fôlego antes de explicar a Bruno o drama do ex-irmão, agora irmã, de Jeitosinha.

Narrador - Gente, já pensou isso no cinema, com a Cameron Diaz de Jeitosinha?

Mais emoções e podridão segunda-feira, em um capítulo inédito!

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