Leal Porto

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RESTAURANTE DA PONTE

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"O lugar certo de comer peixe" - Em cima do Mercado Municipal do Peixe (22) 2647-5341

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Respeitável Público - "O Esgotamento Tá Logo Ali". Por Manoel Atanásio


O ESGOTAMENTO TÁ LOGO ALI! - CABO FRIO, O QUE NÃO SOMOS E QUEREMOS PARECER

Praias e nada mais. É isto que chamamos de turismo em nossa cidade.

Para muitos a cidade de Cabo Frio é uma cidade turística, para mim, não passa de uma cidade com praias e que sofre com o desdenhar de suas magníficas histórias. 

*Acostumamo-nos com muito pouco, acostumamo-nos com os turistas que querem usufruir de nossas praias e durante muitos anos lambemos os beiços com isto. 

Acredito que de cada 100 turistas que venham para nossa cidade, 100 digam que vieram por causa das praias e isto é um erro, não dos turistas, erro dos governantes que desprezaram e ainda desprezarão por muito tempo a história de nossa cidade, não pelo desconhecimento, e sim por entender que "praias" já é o bastante. 

Acostumamo-nos com esse pouquinho que nos foi apresentado como "turismo". Darwin passou por aqui, aqui nasceu o primeiro autor de um romance publicado no Brasil, o imperador Dom Pedro II esteve aqui e se hospedou com a família na fazenda campos novos, onde Darwin também se hospedou. Falando em turismo histórico a fazenda é tomada pelo tempo e abandono, onde em 2014 o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) tombou. Apesar do tombamento a fazenda segue esquecida e abandonada, tanto pelo IPHAN, como pelo governo municipal que a meu ver poderia interceder para que juntos o local gerasse o turismo histórico. 

Nossa cidade também tem histórias de moradores ilustres como é o caso do poeta Vitorino Carriço e Wolney Teixeira, temos lugares magníficos que pouco ou quase nada são explorados  por quem nos visita, cito alguns: Igreja de São Benedito na Passagem, Capela de Nossa Senhora da Guia, Fonte do Itajurú, Charitas, entre outros.

Acostumamo-nos muito mal, para nós o roteiro turístico ideal é ir as praias, almoçar em algum restaurante do centro da cidade, ir ao Boulevard Canal e agora ao shopping. 

Um turismo para selfie's, pois o que levam daqui não são nossas histórias capazes de atrair a atenção e paixão de quem passa a conhecê-la, levam daqui, no caso dos mais jovens, risos e lembranças de noitadas nas boates, não que eu seja contra, é só para retratar a realidade. No caso da faixa etária acima dos 40 anos o que resta durante a noite é ir a algum restaurante ou fazer um churrasco em suas casas de veraneios e no outro dia tudo se repete exatamente igual. Praia e balada para os jovens e praia, restaurantes, churrasco ou biriba para os da faixa etária acima dos 40 anos.

É importante dizer que somos um celeiro cultural e que infelizmente pouco se investe para torná-lo atraente ou melhor dizendo, atrativo. Lógico que haverá controvérsias em relação a está minha colocação, só peço que junto com a controvérsia venha também uma colocação precisa que me faça acreditar que estou vivendo um devaneio ao escrever este texto. 

Infelizmente não temos um turismo de qualidade ou sustentável ou até mesmo histórico por uma simples razão. Não queremos ser uma cidade turística, queremos parecer uma cidade turística!  

402 anos depois e o que temos à oferecer? 

Manoel Atanasio da Silva Filho

*Acostumamo-nos e não nos acostumaram como muitos podem achar, quando digo ACOSTUMAMOS-NOS, quero dizer que também somos responsáveis por tudo que acima citei. 

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