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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Respeitável Público - "Gestores de Fortuna". Por Manoel Atanásio


Até onde somos o que somos? Será que somos? Ou somos o que fizeram de nós?

Os royalties inauguraram uma nova era na nossa cidade, de cidade pacata do sal, pesca e turismo tímido, passamos a ser conhecida como a eldorado da região dos lagos. 

Aos poucos Cabo Frio despontava no cenário nacional e se atrevia a ir além. Quem viveu aquela época, hoje suspira lembranças de um tempo aparentemente bom, tempo de bonança e muita fartura. 

Não havia preocupação com dinheiro e os governantes da era dos royalties investiam pesado em obras de infraestrutura em diversos bairros, porém não se pensou no futuro e muitas obras que foram feitas naquela ocasião hoje já não suportam o crescimento desordenado que ao longo dos anos passou percebidamente pelos governantes mas que porém não deram muita importância.

Em apenas 10 anos a cidade dobrou em números de habitantes e para deixar a massa feliz, muitos show's de graça e promessas de dias ainda mais alegres.

ATÉ ONDE SOMOS O QUE SOMOS?

De uma cidade histórica e de renome internacional, Cabo Frio foi perdendo sua identidade, os que trabalhavam nas salinas e na pesca partiram para as praias e montavam seu micro-negócio conforme a demanda, ali estava a certeza de muito trabalho na alta temporada e descanso e muito dinheiro no bolso na baixa temporada, era possível até dispensar uma vaguinha na prefeitura, coisa que hoje por menor que seja a função é disputada a tapas. Assim a nossa cidade foi sendo descaracterizada e sua história sendo deixada de lado. Um monstro era constantemente alimentado e poucos enxergavam isto, os que enxergavam e ousavam falar algo a respeito eram silenciados pelos ecos das placas de obras espalhadas nas periferias próximas ao centro. É importante dizer que muitos destes que outrora eram "vozes no deserto" experimentaram o gostinho de poder fazer algo pela cidade e quando conquistaram um mandato, como filhos ingratos viraram as costas para a cidade. Aquele monstro que cito logo acima já se encontrava encorpado e dava os primeiros sinais que era questão de tempo a sua fúria contra tudo e contra todos. 

SERÁ QUE SOMOS?

Quando digo em algumas conversas que tenho com alguns amigos que perdemos a identidade do que éramos a reação não é muito boa e em suas defesas vazias citam com fervor o que ÉRAMOS, vejam bem, O QUE ÉRAMOS!

Estes mesmos que ainda ousam defender a identidade de nossa cidade, que eles juram ainda haver, não conseguem se quer citar meia dúzia de coisas que nos faça crer que tudo continua como era ou como deveria ser, falam que a cidade tinha que evoluir e que toda evolução causa um sentimento de perda e trás consigo o saudosismo, mesmo respeitando essa opinião, digo com total propriedade que são incapazes de me convencer.

OU SOMOS O QUE FIZERAM DE NÓS? 

Prefiro acreditar que hoje somos o que fizeram de nós, uma cidade rebelada que escolheu o seu "líder" e faz dele um semideus e pode acreditar, alguns destes líderes tem de fato "poderes" de semideuses, são capazes de cegar, oprimir, transgredir e dividir a cidade. Nesta defesa por seus semideuses o monstro se levantou e hoje mostra a sua terrível "vingança", deixando desorientado uma população que já não consegue ter perspectivas e se agarra a qualquer fio de esperança que surja.

O MOSTRO

No auge da fortuna adquirida pelos royalties os GESTORES DE FORTUNAS nos ensinaram tudo que não deveriam nos ensinar, não foram capazes de nos educar e mostrar que um dia toda essa bonança iria acabar. Nos era permitido jogar lixos e entulhos nas calçadas a qualquer hora do dia, sete dias por semana, precisa de uma licença para trabalhar na praia? Eu dou, quer diversão? Toma show's. Quer trabalhar sem muito esforço? Toma uma portaria e assim o mostro cresceu e mostrou as suas garras feroz e não quer voltar atrás ou refazer o novo caminho que por certo será duro e com muitos espinhos.

GESTORES DE FORTUNAS

Tudo que aconteceu e vem acontecendo na história de nossa cidade só nos mostra o que teimamos em não querer enxergar, que a geração de gestores que tivemos governaram ou governam muito "bem" com FORTUNA, sem esta fortuna são incapazes de usar a criatividade e cortar de fato na própria carne. Notícias dão contas que aproximadamente 700 pessoas serão demitidas por estes dias, muitos destes foram contratados apenas para dar uma satisfação aos aliados que apoiaram a candidatura do atual gestor, nossa cidade não suporta mais esse tipo de GESTÃO que só vive a tapar buracos, roçar mato e varrer ruas. Finalizo dizendo que estamos próximo a mais um fim de uma era, e que os novos políticos que chegaram só irão se manter se forem ousados, criativos e tiverem muita vontade de trabalhar, pois caberá a eles matar esse MONSTRO (reeducar a população) e governar com CRIATIVIDADE. 

É isto que esperamos. 

Manoel Atanasio da Silva Filho

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