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Saúde de Cabo Frio se credencia para captação de órgãos para transplantes




O secretário de Saúde de Cabo Frio, Marcio Mureb autorizou a implantação da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante  (CIHDOTT) – que entrou em funcionamento no Hospital Central de Emergências – HCE – no início do mês de abril.  Comemorada pelos profissionais de saúde de Cabo Frio, a conquista só foi possível pelo empenho de toda a Coordenação Municipal de Enfermagem e ao discernimento do secretário em reconhecer o trabalho desenvolvido pela Coordenação. A inclusão de Cabo Frio ao CIHDOTT dá autonomia para que todo o procedimento de captação de órgãos para transplante seja feito por profissionais locais, sem a necessidade de acionar equipes da capital, o que torna o processo mais rápido e eficiente.  Com a implantação da Comissão, Cabo Frio passa constar na Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos e Tecidos (CNCDO).
O CIHDOTT de Cabo Frio é coordenado pela enfermeira Lilian Almerinda Moraes Brandão, que passou por cursos de capacitação no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, maior referência em transplantes de órgão da América do Sul, e irá realizar a capacitação de um grupo de enfermeiros para que estejam aptos a fazer a captação dos órgãos e até a retirada de córneas para transplantes. Vale ressaltar que a implantação do CIHDOTT só foi possível após inclusão do HCE junto ao CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde.
Para o secretário de Saúde, Márcio Mureb, o credenciamento do município simboliza um avanço para a Saúde de Cabo Frio. “Além da cidade passar a figurar Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos e Tecidos, que significa entrar efetivamente no mapa da Saúde Pública brasileira, teremos a vinda de diversos cursos de capacitação do pessoal que vai atuar na Comissão e eles se tornarão multiplicadores dessa nova forma de abordagem aos pacientes e familiares, que passará a ser o padrão de todas as nossas unidades de saúde, criando um vínculo de humanização benéfico para todos”, avaliou.

Como funciona
As comissões são responsáveis por organizar o hospital para que seja possível detectar possíveis doadores de órgãos e tecidos; viabilizar o diagnóstico de morte encefálica, conforme a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre o tema; criar rotinas para oferecer aos familiares de pacientes falecidos no hospital a possibilidade da doação de córneas e outros tecidos e articular-se com a Central de Transplante do estado para organizar o processo de doação e captação de órgãos e tecidos. Além disso, as comissões também são responsáveis pela educação continuada dos funcionários da instituição sobre os aspectos de doação e transplantes de órgãos e tecidos; articulação com todas as unidades de recursos diagnósticos necessários para atender aos casos de possível doação; e capacitação, em conjunto com a CNCDO e o Sistema Nacional de Transplantes – SNT – dos funcionários do estabelecimento hospitalar para a adequada entrevista familiar de solicitação e doação de órgãos e tecidos.
A Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (Central de Transplantes) é notificada e repassa a informação para uma Organização de Procura de Órgão (OPO) da região. A OPO se dirige ao hospital e examina o doador, revendo a história clínica, os antecedentes médicos e os exames laboratoriais. A viabilidade dos órgãos é avaliada, bem como a sorologia para afastar doenças infecciosas e a compatibilidade com prováveis receptores.
A OPO informa a Central de Transplantes, que emite uma lista de receptores inscritos, compatíveis com o doador. No caso de transplante de rins, deve-se fazer ainda uma nova seleção por compatibilidade imunológica ou histológica. A central, então, informa a equipe de transplante e o paciente receptor nomeado. Cabe à equipe médica decidir sobre a utilização ou não do órgão.
“Essa Comissão coloca a Saúde Pública de Cabo Frio em outro patamar, passando a receber mais atenção tanto do governo Federal quanto do governo Estadual e pode trazer dividendos positivos para a administração, pois os municípios que possuem o CIHDOTT recebem verbas federais para sua manutenção”, explicou a coordenadora de Enfermagem da Secretaria Municipal de Saúde, Beatriz Trindade.
Atualmente, 41.236 pacientes estão à espera de um órgão no Brasil. No ano passado, foram realizadas no país 23.666 cirurgias de transplante de órgãos, sendo 95% dos procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em mais da metade das operações (58%), 13.793 pacientes receberam novos corações saudáveis. Os transplantes de rim estão em segundo lugar: foram 5.409 cirurgias em 2015, o que corresponde a 23% de todos os procedimentos.
Apesar do grande volume de cirurgias realizadas, a quantidade de pessoas à espera de um novo órgão ainda é grande. O rim é o órgão mais demandado: 25.077 esperam por um transplante renal. Em seguida, vêm as córneas (12.686) e o fígado (2.193).
Para vencer a atual desproporção entre número de pacientes na lista e o número de transplantes realizados, é importante conscientizar a população sobre todas as etapas do procedimento, que começa com o diagnóstico de morte encefálica de um potencial doador e termina na recuperação do paciente que recebeu um novo órgão. Entre essas etapas, é preciso correr contra o tempo, levantar informações importantes sobre o histórico do doador e do paciente e, a etapa mais delicada, contar com a solidariedade de uma família que passa por um momento de dor.

Autorização da família
Após o diagnóstico de morte encefálica, a família deve ser consultada e orientada sobre o processo de doação de órgãos. Depois de seis horas de atestada a falência cerebral, o potencial doador passa por um novo teste clínico para confirmar o diagnóstico. Em seguida, a família é questionada sobre o desejo de doar os órgãos.
Mensagens por escrito deixadas pelo doador não são válidas para autorizar a doação. Por isso, apenas os familiares podem dar o aval da cirurgia, após a assinatura de um termo. De acordo com o Ministério da Saúde, metade das famílias entrevistadas não permite a retirada dos órgãos para doação.
Depois da confirmação da morte encefálica e de manifestado o desejo pela família de doar os órgãos do parente, a equipe médica realiza um questionário com os familiares para detalhar o histórico clínico do paciente. A ideia é investigar se os hábitos do doador teriam levado ao desenvolvimento de possíveis doenças ou infecções que possam ser transmitidas ao receptor.
A entrevista é um guia para os médicos, que ainda realizam testes biológicos e físicos que indicam também a possível compatibilidade com os receptores na fila do transplante.
De um mesmo doador, é possível retirar vários órgãos para o transplante. Em geral, as cirurgias mais recorrentes são as de coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córnea, vasos, pele, ossos e tendões. Com isso, inúmeras pessoas podem ser beneficiadas com os órgãos de um mesmo doador. Os órgãos que duram menos tempo uma vez fora do corpo são retirados antes.

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