Leal Porto

Leal Porto

RESTAURANTE DA PONTE

RESTAURANTE DA PONTE
"O lugar certo de comer peixe" - Em cima do Mercado Municipal do Peixe (22) 2647-5341

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Respeitável Público - "Brasil da Gambiarra - Religião". Por Manoel Atanásio


Pecado, talvez essa pequena palavra seja a causadora de tanta discórdia entre as religiões no nosso país, o que é visto como pecado para uns, pode não ser pecado para outros e neste impasse a confusão está formada.

Nós somos um país de brincadeira, tudo aqui é uma mentira, o dinheiro é uma mentira, as profissões são uma mentira, os relacionamentos são uma mentira e a vida é uma mentira, o brasileiro não sente orgulho de si e por essa razão não pode respeitar e nem ser respeitado e é neste cenário que surge a religião de cada um, talvez para preencher esse vazio existencial.

É exatamente aí que todo problema começa, numa disputa acirrada para conquistar cada vez mais e mais  membros, alguns pseudos líderes estimulam a violência verbal e até mesmo física contra quem não comunga da mesma fé, fazendo das religiões verdadeiras casas de espetáculos e campos de batalha.

Por outro lado estes líderes também estimulam o medo, usando ardilosamente o desconhecido que é nada mais nada menos que o inferno. 

Na década de 80, para cada 13 terreiros de candomblé  ou umbanda existia 1 templo de igreja evangélica e a convivência era aparentemente tranquila. Sempre predominou nos terreiros os atabaques, as danças e os sacrifícios e isto não era bem visto pelos evangélicos. Nos terreiros eram facilmente encontrados homossexuais que moravam lá e que serviam a religião, isto se dava por uma simples razão, até o meado dos anos 90 o homossexualismo era reprimido veementemente pela sociedade (não que hoje não seja, naquela época era bem pior) e para esta sociedade, ter alguém na família que tivesse amor e preferências sexuais por outras pessoas do mesmo sexo era doença que se curava com as maiores atrocidades que se possa imaginar, isto ia desde uma surra violenta, cárcere privado e abandono pela família e assim essas pessoas só encontravam abrigo e uma mão estendida nos terreiros de umbanda ou candomblé e ali aprendiam a religião e a seguia. 

Fato que poucas pessoas sabem e que durante muito tempo foi usado contra os umbandistas e candomblecistas que levaram a fama de ordenar aos demônios que possuíssem essas pessoas e fizessem com que se tornassem homossexuais. 

No final da década de 80 e início dos anos 90 algo muito estranho surge no cenário evangélico, fortes rumores que na Igreja Universal do Reino de Deus os pastores sabatinavam os demônios e depois os expulsavam. Muitos curiosos começaram a frequentar o pequeno templo do bairro da abolição no rio de janeiro, enquanto líderes de outras denominações se juntavam para escarnecer e apontar o dedo para Edir Macedo e sua forma descontextualizada de pregar o evangelho, a universal crescia cada vez mais e Macedo não levava em conta o que falavam em relação ao seu modo de pregar ou doutrinar a sua igreja e enumeradas vezes vociferava nos púlpitos dizendo que a inveja era grande e que os líderes das igrejas frias perseguiam o seu chamado. Não demorou muito para que os cultos feitos no maracanã com milhares de pessoas e as posses cada vez mais crescente da igreja universal chamassem a atenção dos outros líderes, que como naquele velho ditado que diz: "quem não pode com ele, junte-se a ele" , acabaram timidamente adotando as mesmas práticas da universal e hoje praticam as mesmas ações, seja nas campanhas espirituais, exagero no pedido de ofertas, testemunhos mirabolantes e outras coisitas. Desta maneira os terreiros foram diminuindo e para cada 8 igrejas havia somente 1 terreiro. Na minha opinião isso se deu por um simples fator, as igrejas passaram a praticar o que os terreiros sempre praticavam, geralmente os frequentadores destes terreiros iam lá para pedir. Pediam riquezas, pediam relacionamentos, pediam e pediam, em troca praticavam os sacrifícios exigidos. Não é diferente nos dias de hoje dentro da maioria das igrejas, muitos só vão buscar a benção não se importando muito com que a bíblia sugere, que é buscar a salvação. O que se vê nos dias de hoje é um verdadeiros escárnio aos preceitos bíblico. Arrogância, fingimentos, mentiras, fé sugestionada, falta de respeito e um certo ar de superioridade em relação as outras religiões. 

Porém, como tudo que cresce desordenadamente, com vaidade e busca financeira exagerada não demorou para estourar os escândalos e brigas entre os líderes evangélicos, não é só isto, hoje em dia qualquer pessoa ou grupo pode abrir uma igreja e buscar o público alvo que geralmente não conhece a bíblia e só quer se beneficiar das ditas bênçãos, fato é que em nada mudam, continuam as mesmas pessoas com as mesmas manias, vícios e desejos, só que acreditando que se servirão do céu, pois frequentam cultos, se vestem como crentes, sabem cantar alguns louvores e pronto, isto basta, pois o amuleto não é um pé de coelho ou figa de madeira, nada disso, o amuleto é frequentar os cultos, dar lição de moral e no desbaratino mostrar o que nunca deixou de ser.

Não entenda minhas palavras como um julgamento, pois não é! Minhas palavras são constatações do que se apresenta todos os dias, em qualquer lugar e a qualquer hora, zumbis que se agarram a qualquer religião para se mostrar superior ao seu semelhante e julgá-los ferozmente. Seja qual for a sua crença ou a falta de uma, eu lhe aconselho, aja com o coração, seja você, aprenda sobre o que você quer seguir e o resto será apenas o resto. Antes de encerrar vou pedir a você leitor que faça o seguinte teste. Tente passar 24 sem mentir, sem enrolar ninguém, sendo você, estendendo a mão a quem precisar, sendo generoso, busque compreender o próximo, respeite a todos e seja sincero. Particularmente eu duvido que você consiga, isto por uma simples razão. Vivemos em uma sociedade vingativa e maldosa, e eu, você e todas as outras pessoas somos reflexo dela. 

OBS: Quando compreenderes que pecado é o que cada um de nós praticamos a cada segundo do nosso dia a dia, então entenderás que todos somos iguais. 

Manoel Atanasio da Silva Filho

0 comentários:

- |