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RESTAURANTE DA PONTE

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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Fala Cidadão. Por Vânia Carvalho.



Hoje vou puxar sardinha pro meu lado e falar sobre artesanato.

De tanto ouvir e sentir na pele as práticas do descaso e discursos com uma total falta de conhecimento sobre essa arte milenar, que foi uma das primeiras manifestações artísticas do ser humano, antes mesmo dele aprender a falar. O artesão  é considerado por muitos políticos como ambulantes.  Mesmo que ele tenha sido um dos primeiros profissionais informais , desde da época em que as sociedades primitivas  fabricavam seus  artefatos , esse artista é confundido com outras  atividades de revenda, que não tem nenhum apelo artístico , cultural, muito menos de atração turística.

Mas o político talvez por puro desconhecimento e nenhuma vontade de buscar aprender ou conhecer sobre esse segmento tão importante por tantas razões econômicas, sociais, turísticas  e culturais, ainda comete o erro de comparar o artesão ao  vendedor de rua, que sem nenhum resquício  da minha parte de demonstrar qualquer despeito, é muito mas valorizado do que os profissionais que passam horas dentro de seus ateliês, produzindo arte.

Toda vez que escuto , tanto da parte do poder público de hoje , como também dos candidatos a prefeito o foco no  turismo, fico me perguntando em que realidade eles vivem? Já que não pode se pretender qualificar esse setor, apresentando para esses visitantes uma identidade cultural totalmente fora do nosso contexto.
Imagino com o advento da Copa e das Olimpíadas e de Cabo Frio como cidade de rota turística, vários  estrangeiros querendo conhecer um pouco da cultura de nossa cidade e levar para o seu país uma recordação de nossa terra, encontrando na feira de artesanato, toda sorte de produtos industrializados made in China e Paraguay. Seria um choque, não seria?

Mas para o governante sem noção, talvez isso não cause nenhum constrangimento, afinal quem vai levar fama de indigente é nossa cidade, por que  cidade que não valoriza sua cultura ,não tem identidade.  Infelizmente nós artistas ainda teremos que ouvir de algum turista surpreendido com tamanha falta de sensibilidade.

- Mas é este o artesanato de Cabo Frio?
 E pra nós que batalhamos tanto  para valorizar nosso segmento ainda  teremos que responder.

-Fazer o que,  se o próprio poder público não sabe a diferença de artesão e ambulante?
Parece piada, quando todos se dizem preocupados com a qualificação do turismo , com o incentivo as escolas técnicas de formação de profissionais, com a melhoria dos nossos hotéis e seus  serviços, com a transformação de praças, parques e até bairros como nichos de exploração turística, mas ninguém lembra do artesanato , um dos principais segmentos de atração, valorizado nas grandes cidades de pólo turistíco do Brasil, mas infelizmente renegado em Cabo Frio a quinta categoria, vindo atrás até do ambulante, que segundo um candidato a prefeito terá total apoio , pois é ele que representa o primeiro contato direto com nosso visitante.

Realmente para os artesãos que estão nessa terra há mais de 40 anos , enfrentando toda sorte de intempéries da natureza, ainda carregando nos ombros o peso de suas mercadorias e de suas barracas, ouvir esse tipo de coisa, causa-nos uma profunda decepção, pois entendemos que o artesanato ainda não é respeitado nessa cidade e o artesão não merece de ser um orgulho para esses que nos governam.

Se ninguém se importa, de verem áreas voltadas para a cultura serem sucateadas,  é porque nossa cidade ainda vive uma triste realidade de mentes tacanhas no poder, preocupados  com seus próprios umbigos.

Só posso dizer que lamento, pois o artesão é um profissional que nasceu com o dom de transformar matéria-prima em arte, ele não é um trabalhador que por não ter condições, oportunidades de estudo ou de profissionalização resolveu trabalhar com artesanato. Ele nasceu assim, amando criar e fazer arte porque gosta. Fazer artesanato é uma habilidade nata, uma escolha e não uma falta de opção.

Mas contra isso, vou continuar batendo na mesma tecla, porque dizem que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura! Quem sabe assim, fura a cabeça dos governantes e ele passem a reconhecer essa máxima:

ARTESÃO NÃO É AMBULANTE!

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