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segunda-feira, 28 de março de 2016

Só há um consenso. Não há consenso. Por Luiz Barbosa Neves


“Em política, quando não há acordo, o acordo é esse.”
Luiz Barbosa Neves.

Mas a política não vive sem composições, imediatas ou de média duração. As necessidades implícitas de cobrar compromissos fazem parte da vida orgânica da política em qualquer lugar do mundo. Portanto novos arranjos estão sendo feitos, mesmo que os cenários futuros sejam tão incertos e tão frágeis que não permitam hoje, novos acordos. 

O difícil em qualquer acordo são os detalhes. Se nem na macroleitura do cenário há consenso, imagina nos detalhes. Não que a classe política brasileira prime pela atenção aos detalhes.

Porém são nos detalhes, discutidos ou não, que ficam depositados as subjetividades dos acordos.

Traduzindo, é no acordo inicial que ficam embutidas as razões da traição ao final.
Agora que o momento só está permitindo arremedos de composições transitórias, o que ocorrerá?

Haja o que houver, para que sentido for, vamos assistir a um festival de traições.
Não há hoje, espaço político sólido o suficiente para produzir qualquer acordo. Por quê?

1 – É óbvio que Sergio Moro não é um bastião da justiça e da moralidade. Sua falta de ética na condução de sua carreira – importante salientar que não estou me restringindo somente aos fatos atuais – mais do que demonstram isso. E o fato de se auto implodir recentemente denota, para além do seu partidarismo explícito, que há interesses muito mais profundos orientando-o. No mínimo ele não quer ter o mesmo destino do Joaquim Barbosa, que após fazer o trabalho sujo do legalismo foi colocado no limbo e agora usufrui de sua aposentadoria no apartamento de Miami adquirido por 100 dólares. 

2 – O golpe, (sim, golpe com todas as letras. Não importa se protocolar e com legalismo) ao que tudo indica, caminha para o sucesso. Mas será exatamente o sucesso do golpe, o novo fiador da longa instabilidade institucional do país. Como irão fazer para interromper a “caça às bruxas” como divulgou Serra em mídia aberta? Isso é parte do compromisso estabelecido com o Temer. E ele – Temer – vem vendendo isso aos PMDB´s regionais.

3 - A tese de que o PT e seus aliados são a gênese de todos os males que assolam no país só repercute naqueles que por má fé ou por oportunismo a aceitam. Nem os inocentes úteis embarcados na onda neoconservadora que varreu o país aceitam mais. Também os justamente indignados com a qualidade do serviço público e das políticas públicas historicamente impostas ao país já se reposicionam, inclusive, parte dela, em relação ao golpe. Na verdade, ainda tem muita gente séria engolindo a isca do golpe com anzol e tudo, mas bem menos.

4 – A tentativa de entregar à turba ensandecida a cabeça de um príncipe (sorry Maquiavel) não funcionou. (Aliás Maquiavel ensina que dois príncipes devem ser enforcados – remember Dirceu x Jefferson) Vão prender o FHC? E mesmo que impeçam a continuidade do mandato da Dilma e prendam o Lula, isso ocorrerá sob nova leitura da sociedade brasileira e internacional.

5 – O desgaste da classe política não é momentâneo, ao contrário, se consultarmos o curto período histórico da “Nova República” veremos que ele vem crescendo e sedimentando-se em todas as camadas da sociedade. Neste aspecto devemos ressaltar que o Lulopetismo teve em boa parte de seu tempo de governo altos níveis de aprovação, e mesmo com níveis mais críticos de aprovação ganhou eleição. Em Ciência Política não há como não considerar esse protagonismo como FENÔMENO.

Portanto bastariam os primeiros desentendimentos previsíveis da suposta nova composição política que teoricamente iria assumir após – se ocorrer – o impedimento da presidenta para que as instituições continuassem em crise. Um exemplo fácil.

A presidência da Câmara não estará mais na mão do Cunha, e com certeza também não estará na mão do PMDB. Vai estar na mão do PSDB ou de um partido satélite dele. O que faria o novo presidente da Câmara se recebesse uma Ação Popular de impeachment contra o Temer?

6 – Se a classe política, os partidos, dirigentes e lideranças sabem de tudo que enumerei acima, fora os itens que não fazem parte deste paper, mas que eles também sabem, por qual motivo não fazem uma composição mais cuidadosa, com menos chances de sofrer abalos logo na sua instalação?

Assim como não há hoje espaço político sólido para produzir um acordo menos tosco do que o que se apresenta, não há liderança política na oposição ou na vala comum da escalada do golpe que seja capaz de conduzir qualquer tipo de acordo que resvale na sensatez.

Vale lembrar que estão TODOS nas listas que já são do conhecimento público e das próximas que virão à conhecimento em breve. E em outubro haverá eleições municipais.
Ué, neste paper não há espaço para o papel da mídia? 

Vou explicitar esse segmento em pouco mais a frente. Mas devo adiantar que como instituição está com os dois pés no túmulo de sua credibilidade.

E o campo progressista, a esquerda ou esquerdas da política nacional, como ficam?


Também tratarei deste segmento em breve. Talvez, pois depende de desfechos a frente, seja o único espaço político sólido que restará na política brasileira por pelo menos mais uma década, só que desta vez, com tudo que tem direito, do outro lado do balcão.

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