Leal Porto

Leal Porto

RESTAURANTE DA PONTE

RESTAURANTE DA PONTE
"O lugar certo de comer peixe" - Em cima do Mercado Municipal do Peixe (22) 2647-5341

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O PSDB recomenda: Vote Lula. Por Pedro Nascimento Araujo


Nesta semana, o Partido da Social Democracia Brasileira provou que é o maior eleitor de Lula da Silva. Ao decidir participar da inacreditável sessão que manteve Aécio Neves livre da prisão e com o mandato senador por mais um ano, o PSDB se igualou ao que há de pior em termos de fisiologismo e de corporativismo da política brasileira. E, na atual conjuntura, dado o objetivo declarado de vencer as eleições presidenciais de2018, é difícil pensar em algo mais inútil para o PSDB do que salvar Aécio Neves. No fundo, o partido entende que tirou o pescoço de Aécio Neves da guilhotina para vê-lo perecer sob o pelotão de fuzilamento dos eleitores em 2018: Aécio Neves não apenas não será capaz de reeleger-se senador, como terá sérias dificuldades mesmo para eleger-se deputado. Portanto, ao sacrificar-se para fornecer um pálio protetivo político a Aécio Neves, o PSDB não foi apenas claudicante, como de costume, mas também adicionou uma grossa camada de estupidez estratégica aos seus defeitos – ao se igualar ao que há de pior na política nacional, fornece farta munição para o discurso jamais pronunciado abertamente e sempre reforçado pelo Partido dos Trabalhadores: se todos os partidos e todos os políticos são iguais, então Lula da Silva é a melhor escolha para 2018. Ao escolher ser medíocre, o PSDB praticamente recomenda o voto em Lula da Silva. O PT agradece.

A decadência de Aécio Neves não é novidade: do zênite de 2014, quando chegou muito próximo do Palácio do Planalto em 2014 e, de fato, qualificou-se como pule de dez para 2018 (a atávica incompetência de Dilma Rousseff garantiria o PT fora do páreo) para a decantada volta do PSDB ao poder em 2018, ao nadir de 2017, quando a gravação de Joesley Batista veio a público, ele só conheceu decadência. Nesse meio tempo, a Operação Lava-Jato e suas congêneres já vinham transformando Aécio Neves em um político na defensiva, daqueles que não podem aparecer em público, mas nada antecipou o que o Brasil ouviu naquela gravação: a desfaçatez com que ele trata de dinheiro com o empresário corruptor confesso levou seu quadro clínico político ao estado terminal. Aécio Neves provou que, apesar das origens familiares absolutamente distintas, Aécio Neves e Lula da Silva falam privadamente com arrogância e grosserias semelhantes – e mantém relações promíscuas com empresários semelhantes demais. Dos grandes nomes da política brasileira, Lula da Silva é o mais chamuscado pela Operação Lava-Jato, notadamente porque foi nos governos dele que a corrupção passou a ser tática de manutenção de poder. Mas o aprofundamento das investigações prova que, se Lula da Silva é o maior peixe, isso não significa que seja o único a refestelar-se no mar de lama da política brasileira. O discurso de vítima de perseguições políticas que ele impunha ao PT já foi há muito abandonado. Sutilmente, Lula da Silva, sendo mais do que nunca o animal político fabuloso que sempre foi, vem mudando o foco para falar de suas realizações na Presidência da República. Ele não é tolo a ponto de repetir publicamente o slogan do adhemarismo (o infame “Rouba, mas faz!”), mas esse é, na prática, o seu mote: “Já que nenhum político é honesto, pelo menos Lula é competente!” A guinada de Lula da Silva é melhor evidenciada pelo distanciamento paulatino que ele vem tomando dos desastrosos governos de Dilma Rousseff – em recente entrevista concedida ao jornal espanhol El País, ficou bem claro que ele atribui a Dilma Rousseff a atávica incompetência administrativa de Dilma Rousseff, como se ele tivesse sido o único responsável pela eleição e pela reeleição dela. Ao proteger Aécio Neves, o PSDB dá força à tática de Lula da Silva.

Noves fora o silêncio vergonhoso de Fernando Henrique Cardoso acerca do assunto (é impossível ignorar o fato de que uma declaração contundente da parte dele teria evitado tão irreparável desgaste para o PSDB) e ainda que não favorecesse diretamente seu maior adversário, mesmo assim a decisão do PSDB de defender Aécio Neves chamaria atenção por sua completa inutilidade: manter Aécio Neves com o mandato de senador por mais um ano serve apenas para sangrar o PSDB por mais um ano. Não há lado positivo para o partido. O PSDB perdeu definitivamente a chance moral de provar que é capaz de cortar na própria carne, que não compactua com malfeitos, que tem compromisso inabalável com a ética na política e, principalmente, que não é igual aos demais partidos políticos. Na hora crítica, quando foi colocado à prova, o PSDB piscou e preferiu salvar o pescoço de Aécio Neves a se salvar: provou que não é capaz de cortar na própria carne, que compactua com malfeitos, que não tem compromisso inabalável com a ética e, principalmente, que é igual aos demais partidos políticos. Melhor recomendar o voto em Lula da Silva de uma vez.

Pedro Nascimento Araujo é economista.

0 comentários:

- |