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'Hoje, eu tive o grito de liberdade', diz mulher mantida em cárcere privado pelo marido durante 8 anos



Uma mulher de 46 anos libertada nesta quinta-feira (9) de um cárcere privado de oito anos, em Campo Grande, na Zona Note do Rio, mandou uma mensagem de alívio horas após a operação que prendeu o seu marido, de 49 anos – os nomes não serão revelados para preservar a vítima. As informações são do RJ2.

"Eu consegui tomar coragem e depois de oito anos de sofrimento, com uma pessoa que diz amar demais outra, acabou prejudicando muito a minha vida (...) Hoje, eu tive o grito de liberdade e resolvi denunciar essa pessoa."

A vítima fez questão de incentivar que outras pessoas que possam estar em situações abusivas lutem para se libertar.

"Através dessa gravação, eu venho pedir a você mulher, a encorajar você mulher, que sofre com os maus-tratos familiares. Não precisam ser somente as agressões físicas, mas as verbais, as psicológicas, as que te colocam pra baixo, as calúnias, as difamações, as injúrias. Lutem pelos seus direitos, não deixe passar assim do jeito que eu deixei tanto tempo passar.”

Bilhete levou a resgate

O resgate foi o fim de um pesadelo que começou em 2012, em quase uma década de sofrimento em silêncio. No início da semana, em momento de desespero, a mulher que vivia em cárcere privado pegou papel, caneta e, ainda em silêncio, "gritou" por socorro em um bilhete.

No texto, ela denunciou a rotina de tortura e contou estar sofrendo agressões físicas e violência psicológica.

"Estou sendo coagida pelo H.. Ele fica o tempo inteiro atrás de mim, vendo o que eu faço e me ameaçando. Não tenho como sair, estou sendo completamente torturada, psicologicamente, moralmente e passando por constrangimentos horríveis, escreveu.

A delegada, Mônica Areal, disse que o filho da vítima chegou à Delegacia de Atendimento à Mulher de Campo Grande (DEAM-Oeste) muito nervoso, levando a foto do bilhete no celular.

Ele contou que a família estava desconfiada de que alguma coisa não estava normal entre o casal. Que, nas poucas vezes que conseguiu visitá-los, a mãe permanecia calada, num canto.

"Ontem, durante uma visita, numa distração do marido, o filho conseguiu fotografar o bilhete e trazer aqui à delegacia. Ele veio acompanhado de um outro parente, que também estava desconfiado da maneira retraída com que a vítima se comportava. Mas, como ela não tinha liberdade para usar o telefone nem receber visitas, porque o marido estava sempre ao lado, eles não tinham como saber exatamente o que estava se passando com a vítima", disse a delegada.

Prisão em silêncio

No momento da prisão em flagrante, o marido dela não resistiu, nem fez qualquer comentário sobre a situação.

"Ela estava muito nervosa e mal conseguia falar. Contou que tentou fugir, mas não conseguiu. Procurou a delegacia, mas não conseguiu formalizar a queixa. Ela vivia tão oprimida, tão dominada pelo marido que, no momento da prisão, ficou quietinha, calada num canto da porta. Deu para perceber o nível de dominação que ele tinha sobre ela", contou a delegada.

O homem vai responder pelo crime de cárcere privado, que tem pena de 2 a 5 anos de prisão. Ele já foi encaminhado ao sistema penitenciário.



Fonte: extra.globo.com

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