Leal Porto

Leal Porto

RESTAURANTE DA PONTE

RESTAURANTE DA PONTE
"O lugar certo de comer peixe" - Em cima do Mercado Municipal do Peixe (22) 2647-5341

sábado, 20 de maio de 2017

Jesus se voltasse seria Cristão? Por Álex Garcia


Após uma sequência de debates teológicos com amigos, e em rede social, me suscitou a ideia de que "Jesus se voltasse seria Cristão?" como seria o impacto de Jesus ao ver as religiões cristãs espalhadas pelo mundo e o que acharia das igrejas pentecostais no Brasil, e o que ele acharia dos líderes religiosos que temos, como ele enxergaria a Igreja Católica Apostólica Romana e sua atuação durante os últimos dois mil anos, e os estupros coletivos de crianças dentro de muros que em tese representam a casa dele.

Quando olhamos a vida e obra do mestre Jesus temos o encantamento de ver o maior e mais puro ensinamento sobre amor, humildade, caráter, solidariedade, caridade e perdão, que o mundo ocidental conheceu, e o resultado final do ensinamento desse mestre foi ser humilhado, dilacerado e pregado em uma cruz, para morrer da forma mais cruel e vil possível.

Mas será que a maior humilhação e sofrimento que Jesus sofreu como ser humano foi ter sido crucificado? Na minha visão não foi! Ter sido crucificado pelos líderes religiosos da sua época foi sem dúvida um enxovalho não merecido, mas ter sido, posteriormente, adotado como Patrono do Cristianismo foi a maior e mais absurda humilhação que submetemos o mestre Jesus e seus belíssimos ensinamentos.

Quem conhece um pouco, mas só um pouco, dos ensinamentos originais de Jesus, principalmente os que estão no Evangelho de Nag Hammadi ( textos gnósticos do Cristianismo Primitivo) sabe que Jesus não tem nada a ver com o Cristianismo imundo que vem perniciosamente assolando a humanidade há pelo menos 1.700 anos.

Imagine se Jesus voltasse e fosse estudar os últimos dois mil anos da nossa história, ao constatar os milhões de mortos sacrificados em seu nome, para impor a doutrina cristã; os milhões de índios que foram assassinados por não aceitar o domínio do deus cristão, fora Judeus, Ciganos, Árabes e tantas outras vítimas do Cristianismo.

Imagine o sofrimento do mestre Jesus ao ver as atrocidades praticadas na Santa Inquisição contra pessoas inocentes, sendo submetidas a barbaridades inimagináveis; imagine ele vendo as  Cruzadas sob o comando da Igreja Católica, onde atrocidades e matanças indiscriminadas foram cometidas contra todos os não-cristãos que se recusassem a se converter ao Cristianismo, como o massacre de Jerusalém onde mais de 40 mil pessoas foram trucidadas inclusive, doentes, crianças, bebês e pessoas muito idosas.

Imagine Jesus tomando conhecimento da parceria feita entre os cristãos e o Império Romano, onde Roma ficou com a função de perseguir e matar as pessoas com seu exército e o Cristianismo com as ameaças do castigo de deus no outro mundo. Essa parceria frutificou e o Cristianismo se tornou a maior e mais temida religião do mundo.

Essa parceria produziu mais uma "blasfêmia" contra Jesus que foi o Concílio de Nícea que produziu o livro que hoje você conhece como “Bíblia”. Para esse trabalho foram reunidos mais de 300 livros sobre espiritualidade existentes na época, e os livros que eles não gostaram acabaram queimados em fogueiras santas. Daí surgiu a “Bíblia” que muitos infelizmente acreditam ser a palavra de deus, sem ao menos saber sua origem e como foi elaborada.

Imagina Jesus ao saber que esse livro "Bíblia" com todas as suas aberrações e atrocidades foi creditado a ele, que em tese foi  o Supremo Criador deste Universo, com seus trilhões de galáxias infinitas, e com belezas igualmente infinitas e inimagináveis. Mas que tristeza teria Jesus ao contatar que esse livrinho sujo está em nome de "deus", provavelmente ele iria preferir que fosse creditado a ele o livro "O Universo Em Uma Casca de Noz" do Stephen Hawking.

O "temor" , ameaças do "inferno eterno", é e sempre foi a moeda mais importante do Cristianismo, a parceria com um ser chamado Demônio e com um deus que vaga pelo céu entre as nuvens com um porrete nas mãos, distribuindo castigo, sofrimento e dor a quem comete "pecado", foi a gasolina que fez do Cristianismo essa religião tão popular. Imagina a tristeza de Jesus pensando "mas onde está o amor?".

Mas o cristianismo, mesmo sem amor, e sem referência nenhuma ao Jesus histórico, vai muito bem, obrigado! Hoje o cristianismo é a instituição mais rica do mundo e pode se dar ao luxo de ter igrejas e templos banhados a ouro, artes e granitos. Porém, quanto ao acúmulo de riqueza, parece que estão ainda no começo, pois os chamados evangélicos brasileiros, imbuídos de muita criatividade, e com uma anomalia chamada de "teologia da prosperidade" estão deixando os católicos de cabelo em pé, ninguém supera os "Bispos e Bispas" que proliferam como uma erva daninha em nosso país. 

Jesus que nos parece ter sido uma pessoa pura, ou quase pura, no seu libido humano, talvez tenha se casado, talvez não! Mas sem dúvida com uma vida muito discreta nesse sentido. Agora imagine o nosso mestre Jesus ao se deparar com a notícia que na Argentina uma freira escolhia menininhas surdas de 4 à 10 anos para serem estupradas em rodízio por padres e bispos, e isso por décadas seguidas, imagine Jesus conhecendo cada caso (e são milhares de casos) de padres, bispos e até freiras estupradores de criancinhas, a quem ele havia destinado o reino de seu pai. Imagino o pranto incontrolável que Jesus teria ao ler essa página obscura do Cristianismo.

Não consigo imaginar sofrimento maior que Jesus poderia ter ao retornar e se deparar com essa triste e sombria realidade do que é o Cristianismo, nenhuma nova crucificação seria tão sofrida e humilhante como ser Patrono dessa aberração monstruosa.

Por isso acredito ser obrigação de todos os meus amigos agnósticos, ateus, e sem crenças a defesa do Jesus histórico, da filosofia do amor, da caridade. Pois Jesus  é a maior vítima do Cristianismo,  logo ele tão humano como os ateus de hoje em dia. Ele amou as pessoas como os ateus de hoje amam. Ele pregava a libertação das pessoas do jugo dos sacerdotes de sua época, como os ateus de hoje pregam a libertação dos sacerdotes atuais.

Portanto, sugiro que a partir de hoje, já, agora e aqui, JESUS seja eleito o Patrono dos Ateus, Agnósticos e Sem Religião, e não será preciso criar nenhuma igreja para isso, pois isto poderia ser uma tentação para cobrar o amaldiçoado dízimo.

Álex Garcia é mercadólogo e comunicador, além de um apreciador amador de ciência das religiões.

4 comentários:

Tania Correa disse...

Ele seria vegano. A compaixao por todos os seres vivos seria a base de um novo mundo.

Cleber Mello disse...

Outro grande erro:generalizar as cosas.
Há uma quantidade imensa de cristãos que seguem o ensinamento do Senhor Jesus, inclusive fazendo o que os ateus estão longe de fazer, AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS...

Tem, porém, os aproveitadores! Mas, como bem disse, devemos ama-los também!

filoliveira disse...

Jesus, sim, é a maior vítima deste cristianismo doentio e louvo. Prof.Moises

Sebo Do Lanati disse...

A sociedade atual crucificaria Jesus novamente!

- |