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quinta-feira, 18 de junho de 2020

Homem morre em casa e família leva corpo enrolado em lençol para UPA após 5 horas tentando ajuda de órgãos públicos


Homem morre dentro de casa e família precisa levar corpo enrolado em lençol com a ajuda de vizinhos em Cabo Frio — Foto: Reprodução/Inter TV RJ

Um homem de 54 anos morreu dentro de casa no bairro Praia do Siqueira, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, na tarde desta terça-feira (16) e a família dele precisou levar o corpo, por conta própria, para uma UPA, depois de ficar cerca de 5 horas tentando ajuda de algum órgão público que pudesse remover o corpo do local.

Os familiares de João Carlos Pereira Coelho contaram com a ajuda de amigos para levar o corpo.
"Ele saiu daqui enrolado no lençol que ele morreu e na caminhonete do vizinho. Isso é um descaso", disse a sobrinha de João, Pollyana Lemos.

Segundo a família, o homem morava no mesmo quintal da família, era alcoólatra e, quando não ingeria bebidas alcoólicas, tinha ataques e se trancava dentro de casa para dormir.
João Carlos tinha cinco filhos. A mãe dele precisou ser medicada para receber a notícia da morte do filho.

Por volta das 15h desta terça, João tinha se trancado em casa, mas desta vez os familiares o chamaram e ele não respondeu. Quando entraram na casa, o encontraram morto.

De acordo com os familiares, após constatarem a morte, eles tentaram contato com vários órgãos.
Primeiro, os parentes ligaram para o Corpo de Bombeiros, mas foram informados que teriam que acionar uma funerária. Em seguida, eles disseram que ligaram para funerária e foi cobrado o valor de R$ 3 mil.

A família não tinha condições de arcar com a despesa e entrou em contato com a Assistência Social do Município. A assistente social então teria dito à família que eles precisariam levar o corpo pra UPA por conta própria.

"E a pessoa que não tem condições de dar R$ 3 mil reais pra funerária? Vai fazer o quê? Vai abrir um buraco no quintal e jogar o corpo ali?", disse a sobrinha.

Os familiares alegam ainda que tentaram pedir a ajuda da Polícia Civil, que também não cooperou.
O corpo ficou até às 20h dentro de casa e, como nenhum órgão prestou assistência, a família seguiu a orientação da assistência social e, com a ajuda dos vizinhos, levou o corpo para a UPA do Parque Burle.

O corpo de João Carlos passou por procedimentos necessários e foi encaminhado para o IML de Macaé para identificação da causa da morte.

O que dizem os órgãos?

Questionada sobre a falta de atendimento à família, a Prefeitura de Cabo Frio informou que a remoção e verificação de óbito não é feita pelo município. E disse ainda que o município "é responsável pela verificação e remoção apenas em casos de óbitos dentro das unidades de saúde".
O G1 verificou que, em 2006, foi criado no município de Cabo Frio o Serviço de Verificação de Óbito (SVO). A lei que foi aprovada pelo então prefeito Marcos Mendes diz que "para os casos de morte em residência sem assistência médica, será necessária a autorização da autoridade policial responsável".

O município informou que só realiza a remoção do óbito nas residências de famílias que se enquadrem nos critérios de Benefício Eventual de Auxílio Funeral. Disse ainda que a secretaria de Assistência Social atende com os serviços de remoção, traslado e funeral e que para isso, a família precisa informar ao setor que funciona em regime de plantão.

A prefeitura disse ainda que "lamenta e esclarece que a Secretaria não foi informada". O município ressaltou que "assim que a secretaria foi acionada, foi feita a entrevista de perfil socioeconômico e a situação foi resolvida".

Questionada sobre a Lei que criou o SVO, o município informou que a Lei não dispõe sobre remoção do óbito, apenas verificação.

O G1 entrou em contato com a Polícia Civil para saber o motivo da delegacia não ter prestado socorro à família, a assessoria da Polícia Civil informou que "de acordo com a 126ª DP, em casos de mortes por causa natural, o responsável pelo atestado é o serviço de verificação de óbito dos municípios".

O G1 entrou em contato com a assessoria do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro para saber o posicionamento da corporação sobre o caso.

O G1 também entrou em contato com a Prefeitura de Cabo Frio pedindo mais detalhes sobre como funciona o Serviço de Verificação de Óbito e aguarda o retorno.


Fonte: g1.globo.com

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